quinta-feira, 4 de julho de 2013

Recordações.

Passeando pela estrada,
Por um caminho de terra batida,
Encontrei uma cortada,
Rumo a uma terra desconhecida.

Empolgada, avancei, sem medo,

Sem receio.
Pensei manter tudo em segredo,
Até que uma lágrima me veio.

Vi um lugar lindo,

Abandonado mas com classe.
Olhei, com as lágrimas caindo,
Procurando acalmar o meu impasse.

Recordei-me do meu passado,

Era uma casa parecida!
Meti memória lado a lado,
Mas uma estava muito envelhecida.

Lembrava-me de crianças felizes,

A gargalhar e a correr...
Eram as minhas raízes,
Aquela casa que eu estava a ver.

E aquele jardim,

Tão só e abandonado,
Em tempos cuidou de mim,
E eu dele, por um bocado.

Aquelas escadas antigas,

Caídas e destruídas,
Foram o local de muitas brigas,
Brincadeiras e despedidas.

Sinto uma saudade a apertar...

Recordações a invadir-me,
Uma vontade de chorar,
Por não poder redimir-me.

Fui criança sem saber,

E agora sou adulta à força,
Antes, só queria crescer...
E agora só quero que alguém me ouça!


- Débora Amorim
-  04.07.2013
- 01:40h

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Regressa desse mundo.


Dizem que há muita fome,
Roubo e prostituição,
Gente que não come,
Só para ter dinheiro na mão.

Dizem que há drogados,
Quer adolescentes, quer adultos.
Mas eles são uns mal amados,
Que um dia já foram cultos.

Julgam a prostituição,
Mas fodem com qualquer um.
Uns, para ter dinheiro na mão,
E outros, só para um pau no cú.

Dizem que há ladrões,
Que tiram dinheiro, tiram tudo.
Mas os piores são os que coçam os colhões,
Os do estado, sobretudo.

Julgam os mendigos,
Por estarem sempre a pedir,
Mas no facebook tenho amigos,
Que pedem likes com um smile a sorrir.

Qual é a diferença,
Entre o facebook e a vida real?
Gente sem cabeça,
Pensa que likes são algo especial.

Acordem para a realidade,
E julguem o que vocês são.
Vejam quem são de verdade,
E deixem de lado essa versão.

Olha-te ao espelho,
E vê o teu reflexo,
Tens sangue vermelho,
Por isso, vive.. Este é o teu regresso.


- Débora Amorim
- 25.04.2013
- 16:36h

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Eram só palavras…


Eram apenas meras palavras
Que tu dizias e escrevias,
Umas doces e outras bravas
Que me soavam como melodias.

Palavras que me encantaram
Ditas e até mesmo escritas.
Algumas que me chamaram
À realidade que tu evitas.

Mas eu não as quis ouvir,
Muito menos ler…
A realidade tinha de intervir
Mas eu não a queria conhecer.

Era dura e cruel
A realidade fora das tuas palavras,
Mas soavam doce como o mel
Quando dizias que me amavas.

Mas quando caí na realidade
Vi como tudo doeu.
Tu não me amavas de verdade
E nunca foste meu.

Nunca passaram de meras palavras
De uma folha velha e amachucada,
Mas elas foram capazes
De me deixar magoada.

Acreditei no que me dizias
Enquanto pensava que era feliz,
Mas a verdade é que o que sentias
Não é aquilo que a tua boca diz.

- Débora Amorim
- 15.11.2012
- 03:48h

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nunca é tarde demais!

Nunca é tarde demais
Para lutar pelo que queremos,
Para construir um cais
Onde haja água, um barco e remos.

Nunca é tarde para sonhar
Acerca da nossa vida,
Que sabe se não podemos encontrar,
Nesses sonhos, uma saída.

Não devemos desistir
Do que está dentro de nós.
Temos um caminho para seguir,
Estejamos acompanhados ou a sós.

Temos esperança e vigor,
Por isso, vamos à luta!
Vamos deixar de lado o rancor
E ganhar esta disputa.

Temos sonhos por realizar,
Desejos para se cumprir.
Um futuro ainda a idealizar
E vontade de sorrir!

Por isso, vamos ser nós,
Estranhos mas felizes.
Vamos dar voz à nossa voz
E seguir as nossas próprias directrizes.

Sê tu como quiseres
E faz o que te apetecer,
Porque quer homens, quer mulheres,
Têm o direito de viver!

- Débora Amorim
- 06.11.2012
- 05:04h

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Um tudo de nada.


Ouvi um pedido de ajuda
De uma voz um pouco rouca,
Voz essa quase muda
Que me deixava louca.

Eram gritos silenciosos
Vindos de uma multidão,
Um coração cheio de remorsos
Que se encontrava na solidão.

Era alguém que me chamava
Com uma voz meio desgastada,
E que procurava
A resposta para o “nada”.

Nada era o que ela tinha
No meio de quase tudo.
Um coração que continha
Dentro dele meio mundo.

Tinha tudo, mas não tinha nada.
Tinha amor, mas não verdadeiro.
Tinha Amizades de fachada
E ódio pelo mundo inteiro.

Tinha um tudo de nada
Do que existe nesta vida,
Não tinha nada do tudo
Que se precisa para sarar uma ferida.

Hoje são apenas restos…
De esperança ou de força.
Restos de sentimentos honestos,
Há espera que alguém os ouça!

- Débora Amorim
- 30.10.2012
- 05:24h

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Acalma-te Coração.


Acalma-te Coração
Que ele não é teu,
Isso tudo foi ilusão
E foi mentira o que ele prometeu.

Habitua-te a esse vazio
E a essa dor que não tem fim.
Ele vai continuar a ser frio,
Daqui para a frente é assim.

Tens de aprender a suportar
As lágrimas e os ciúmes,
Agora tens de aguentar
Para sairmos os dois imunes.

Finge que não te magoa,
Age como se não te importasses.
E por muito que doa
Controla esses teus impasses.

Acalma-te Coração,
Sou eu que te estou a pedir.
Ouve com atenção:
O pior ainda está por vir.

Por isso esconde as emoções
E a dor toda das lembranças,
E em todas as situações
Tenta não ganhar esperanças.

Tenta não te magoar
E esquecer quem te faz sofrer,
E quando quiseres arriscar
Pensa no sofrimento que isso poderá trazer!
- Débora Amorim
- 14.19.2012
- 03:18h

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pequenina...


Tanta guerra, tanto crime
Tanto ódio e rancor,
Tirem-me deste filme
Onde não existe Amor.

Tantas perdas nesta vida
Que não dá para entender,
Eras uma vida Pequenina
Mas estávamos prontos para te receber.

Ninguém sente esta dor
Ninguém sabe como é,
Foste recebida com Amor
Mesmo antes de sentirem o teu pontapé.

Eras do tamanho da minha mão
Tão frágil e pequenina,
Ouvia-se o teu coração…
Mas foi esta a tua sina.

Lutaste até ao fim
Sempre de cabeça erguida,
Cativaste muito de mim
Mas da tua Mãe mais ainda.

Estávamos de braços abertos
E a acompanhar a tua vinda,
Mas os caminhos não foram os mais certos
E vimos a despedida.

As lágrimas da tua Mãe,
E o teu Pai a sofrer.
Eles queriam-te bem
Mas não foi suficiente o querer.

Sei que custa e que dói
A dor que a tua Mãe sente,
Eu sei que a corrói
E que lhe destrói a mente.

Mas estamos ao lado dela
Para lhe dar atenção,
Para ver o sorriso dela
E para a tirar do chão.

O teu Pai também ajuda
Como sempre ajudou,
Mas a vida muda
E a vossa mudou…

Mas estamos todos aqui
Porque um dia tudo vai passar,
E nós vamos chegar até Ti
Nem que estejas difícil de alcançar!
- Débora Amorim
- 06.07.2012
- 17:49h